RESENHA #52: AMOR EM METAMORFOSE

 

AUTORA: Lauren Layne

SINOPSE: Será que vale a pena arriscar uma grande amizade em troca de um amor inesquecível? Aos vinte e dois anos, a jovem Parker Blanton leva a vida que sempre sonhou. Tem um namorado inteligente e responsável, um emprego promissor e a companhia de seu melhor amigo, Ben Olsen, com quem divide um lindo apartamento. Parker e Ben são tão grudados que muita gente duvida que eles morem sob o mesmo teto sem nunca ter vivido um caso, mas eles não se importam com o que as pessoas pensam. Sabem que não foram feitos um para o outro — pelo menos não para se envolver. Por isso, quando um acontecimento inesperado faz com que Parker se veja sem namorado e com o coração partido, ela sabe que pode contar com Ben para ajudá-la a sacudir a poeira e partir para outra. Afinal, ninguém seria mais ideal do que seu melhor amigo para lhe mostrar os prazeres da vida de solteiro certo? Mais que amigos é uma comédia romântica irresistível.

 

Tenho um sobressalto com meu próprio pensamento, o qual procuro afastar em seguida. Isso só serve para fazer com que entre ainda mais na minha cabeça. Duas coisas que combinam bem, eu e ele, Parker e Ben

Lauren Layne

 

Mais que amigos me conquistou desde as primeiras linhas. Eu poderia dizer que ele me ganhou na sinopse, mas isso seria só meia verdade. O clichê dos melhores amigos que se apaixonam é o meu favorito: isso é um fato; e Lauren Layne ainda acrescentou o tempero da amizade colorida, o que tornou tudo ainda melhor. Mas eu só fui fisgada mesmo, mesmo quando comecei a ler os primeiros parágrafos. A sensação foi a mesma de comer um algodão doce cor-de-rosa, sentada em um balanço de praça no fim de uma tarde alegre: tudo soava simplesmente… No lugar certo. Isso continuou durante toda a leitura.

Parker Blanton e Ben Olsen são o casal perfeito da forma mais platônica possível. Melhores amigos desde os primeiros anos da faculdade, dividem tudo: apartamento, segredos, brincadeiras e, de certa forma, a vida. Orgulham-se de ser a prova viva de que a amizade entre homens e mulheres é não só possível como quase perfeita. Seria perfeita de verdade se Ben não insistisse em usar as toalhas de Parker e se ela não borrasse as camisas dele de maquiagem derretida durante as suas crises de choro bastante frequentes.

Apesar de serem compatíveis em muitas coisas, em questão amorosa, os dois são completamente opostos. Enquanto Parker está em um relacionamento sério há cinco anos com um cara chamado Lance, Ben parece ser incapaz de dormir com uma mulher por mais de uma noite sem desenvolver um medo estranho de que suas partes íntimas atrofiem ou se desprendam de seu corpo.

Só que, depois de dois meses de um distanciamento frio, Lance termina com Parker. Sentindo-se rejeitada física e emocionalmente, ela toma uma decisão: ser como Ben. Sexo sem compromisso com desconhecidos parecia a saída perfeita para se sentir desejada sem correr o risco de ter o coração partido de novo. Só havia um problema em seu plano infalível: ela não conseguia transar com desconhecidos.

É então que, depois de uma conversa com a sua mãe, Parker tem uma ideia: e se ela dormisse com um conhecido? Talvez mais que conhecido… E se ela dormisse com Ben?

Desde o início, fica bem claro para os leitores onde a ideia de Parker e a sua concretização vão dar. O envolvente não é o final, mas a caminhada até ele. Para mim, o diferencial do clichê de melhores amigos em relação aos outros é que, na amizade verdadeira, o amor é um pressuposto. Por isso, quando o romance se inicia, não se trata da construção de um amor, mas de sua transformação. É como uma metamorfose.

Parker é uma personagem incrível. Dona de uma personalidade cativante, é gentil com os amigos e completamente apaixonada pela família. O jeito como cuida de Ben é, ao mesmo tempo, irritante e fofo. Contudo, o que mais me fez gostar dela foi a sua maneira de jamais se deixar submeter ou ser diminuída. Além disso, seu defeito, para mim, era mais do que compreensível, pois entrar em negação é completamente humano.

Benjamin corria o risco de se tornar o meu próximo amor literário, mas sua conexão com Parker era tão forte que eu quase me senti culpada por achá-lo maravilhoso. Se houvesse uma representação física da frase “eu sempre vou estar lá por você”, seria Ben. Todas as vezes em que Parker precisou dele, não importando para quê, ele estava lá. Se há algum defeito para citar sobre ele, seria a sua covardia em dizer certas coisas e a sua impulsividade em dizer outras. Na verdade, os defeitos são algo que Ben e Parker têm em comum, porque ele também entra em negação várias vezes, assim como ela age covardemente em algumas situações e é impulsiva em outras.

Embora o foco do livro sejam os dois, outras temáticas importantes aparecem tanto por causa deles quanto apesar deles. O ciúme, o desejo por amor, a proximidade com a morte, o medo da perda, a necessidade de crescer e amadurecer. Tudo isso está presente em maior ou menor medida.

A verdade é que Parker e Ben são um sopro de vida em meio ao caos. A relação que têm (seja como amigos coloridos ou não) é incrível. Nada entre eles é forçado, nem mesmo quando passam das piadas às conversas sérias em um piscar de olhos. Na verdade, é essa sintonia que faz dos dois o que são: melhores amigos – algo que, apesar de todas as coisas, sempre serão. Lauren Layne conseguiu misturar a amizade e o romance sem fazer parecer que qualquer um dos dois é mais importante que o outro. E, de fato, o verdadeiro amor não é nada mais do que isso: ter um melhor amigo para beijar todos os dias.

 

REFERÊNCIA

LAYNE, Lauren. Mais que amigos. São Paulo: Paralela, 2018.