RESENHA #226: PEDIDO POR UMA RAINHA

AUTORA: Agatha Christie
SINOPSE: Uma nevasca prende um grupo de desconhecidos no isolado Solar Monkswell junto com um assassino psicótico; Hercule Poirot tenta desesperadamente salvar uma criança sequestrada; Miss Marple tenta proteger os herdeiros de um homem recém-falecido de um desastre iminente; e Mr. Harley Quin persegue um assassino ardiloso. Unindo um de seus contos mais famosos com mistérios dos detetives mais queridos da autora, Três ratos cegos e outros contos traz uma Agatha Christie em ápice inventivo.

Quando sua rainha pede a você para que escreva uma história, não há outra coisa a se fazer além de reconhecer o quão incrível você é. Ao menos, é o que Agatha Christie deveria ter feito quando a Rainha Mary pediu de aniversário de 80 anos uma história da própria Rainha do Crime.

Essa história foi transmitida através de uma encenação via rádio e encantou muitas pessoas, até provavelmente a própria Christie, pois a transformou em um conto depois de um tempo. Esse conto é o primeiro – e o maior – do título Três ratos cegos e outros contos. Nele, a escritora mostra o quão é sagaz com o gênero romance policial, porque explora não só os assassinatos – temas comuns em suas obras –, mas outros tipos de crimes, como sequestro, estelionato e até uma caça ao tesouro.

As tramas são muito divertidas e contam com os famosos detetives da escritora, Hercule Poirot e Mrs. Marple, sendo que suas aparições são motivadas por críticas que a escritora introduziu nesses contos. O romance policial tem a proposta inicial de ser crítico, assim, Christie consegue fazê-los de uma forma brilhante. Não menos importante são as questões abordadas, como, por exemplo, as calamidades da guerra. Mesmo que o título tenha sido feito para a Rainha, a escritora não deixou de lado a realidade e mostrou a monarca quanto sua população sofria por causa da guerra, desde as faltas de registros do governo até as barbáries que aconteceram com crianças e adultos.

Não obstante, e para além da guerra, a autora também comenta sobre o machismo estrutural, a diferença geracional, além do preconceito contra o estrangeiro e a própria percepção da sociedade quanto aos jeitos ou até em relação à aparência de um indivíduo. Também aborda a estrutura social e cultural britânica de seu período histórico e nos apresenta informações a respeito da Inglaterra bem interessantes.

Diferente dos romances, Christie não tem espaço para desenvolver sua narrativa, por conta disso, as histórias são mais lineares e não apresentam tantos enganos e mistérios. Sendo assim, fica mais simples – e de fato as histórias são mais simplificadas – saber quem é ou não o assassino ou criminoso, já que ela não tem páginas, ou melhor, espaço suficiente para desenvolver suas armadilhas. Contudo, nem todas são simples de acertar ou até possíveis.

Por fim, e não menos importante, a escritora também brinca e pontua a respeito das histórias de detetive, destacando o quanto elas podem ser mirabolantes e, mesmo assim, o público continuará cativado.

A edição da editora Harper Collins traz a tradução de Jin Anotsu. A capa foi feita por Cerquize e a imagem presente é bem metafórica, o que foi um ponto muito positivo. A cor também é delicada e invernal, combinando com a trama do primeiro conto e título.

 

REFERÊNCIA

CHRISTIE, Agatha. Três ratos cegos e outros contos. Tradução de Jim Anotsu. 1ª ed. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2022.