RESENHA #178: DIFERENTES FASES

AUTORA: Lucy Maud Montgomery
SINOPSE: As vivências e experiências de Anne em Anne of Windy Poplars (1936) ocorrem ao longo dos três anos entre sua formatura no Redmond College e o casamento com Gilbert Blythe. Enquanto Gilbert está na faculdade de medicina, em Redmond, Anne trabalha como diretora da Summerside High School, onde também dá aulas. Mora em uma casa grande e adorável chamada Windy Poplars com duas viúvas idosas, tia Kate e tia Chatty, junto com sua governanta, Rebecca Dew, e um gato, Dusty Miller. As viúvas alugam para Anne um confortável quarto na torre da casa, mas desde o início a jovem é acolhida como se fosse da família, e é assim que se sente.

Durante seu tempo em Summerside, Anne precisa administrar a rejeição de muitos dos habitantes de Summerside, incluindo a arrogante família Pringle, sua amarga colega Katherine Brooke e outras pessoas excêntricas. Mas também faz amizade com a solitária menina Elizabeth Grayson, um membro sem mãe da família Pringle que mora ao lado de Windy Poplars com a avó severa e amarga. Nas férias, Anne visita Marilla em Green Gables.

Há histórias que preenchem nosso coração de tal forma que nos vemos totalmente apegados aos seus personagens. Anne de Green Gables nos apresenta crianças que, pouco a pouco, vão crescendo no decorrer dos exemplares publicados por Lucy Maud Montgomery.

Só que o crescimento representa mudança. Essa mudança, associada às fases da vida, está presente no cotidiano de todos nós, por conta disso, a fase adulta de Anne, como diretora de uma escola, não poderia ser diferente.

O romance Anne de Windy Poplars se divide entre narrativa direta, acompanhando os momentos do presente de Anne; e narrativa epistolar, através do modelo de carta que troca com Gilbert. Dessa maneira, o personagem pouco aparece mais uma vez. No entanto, é importante ressaltar que essa parte da história não é sobre o relacionamento amoroso de Anne, nem sobre seu passado em Avonlea. Pelo contrário, trata sobre seu amor à educação, criação infantil, submissão familiar, jogo de aparências e confronto entre a docência por amor e por obrigatoriedade.

Para além desses pontos críticos, acertadamente, Montgomery não supervalorizou o ensino superior e letrado de Anne em detrimento a outros tipos de conhecimento. Longe disso, explorou o quanto a inexperiência de vida de Anne pode fazê-la cometer deslizes e equívocos. Somado a isso, também pontua, através de Anne, como o conhecimento popular é sábio e importante dentro de sua cultura.

Com pontos muito positivos, Anne de Windy Poplars é mais interessante que Anne da Ilha por explorar a função e a educação feminina no período de Montgomery, não se centrando em questões que já foram visitadas anteriormente no viés conceitual. Contudo, mais uma vez, como seu antecessor, acaba utilizando recursos repetidos através de personagens caricatos e similares uns aos outros.

Utilizando as referências religiosas como centro, Anne, como um todo, foca em valores tradicionais à família daquela época (ainda que seja muito moderno quanto à concepção do papel da mulher no mercado e no viés educacional). Dessa forma, veremos no decorrer das páginas a maturidade de Anne como mulher, educadora e futura esposa e mãe sendo construídas, o que nos auxilia a antever o futuro da personagem, sem minimizar nossa curiosidade a respeito dele.

A tradução de Márcia Soares Guimarães continua incrível, como nos exemplares anteriores, embora alguns erros de revisão tenham passado. A edição segue o mesmo padrão das que foram publicadas anteriormente, fazendo com que combinem entre si. A capa continua a trazer alguns detalhes em alto-relevo e, ao mesmo tempo, ilustrações nos finais dos capítulos.

REFERÊNCIAS

MONTGOMERY, Lucy Maud. Anne de Windy Poplars. Tradução de Márcia Soares Guimarães. 1ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2020.