RESENHA #124: O DIA SEGUINTE

AUTOR: Andy Jones
SINOPSE: Durante dezenove dias, Fisher e Ivy vivem uma relação idílica e são praticamente inseparáveis. É claro que os dois sabem que estão destinados a ficar juntos para sempre, e o fato de se conhecerem tão pouco é apenas um detalhe. Nos doze meses seguintes, período em que suas vidas mudam radicalmente, Fisher e Ivy percebem que se apaixonar é uma coisa, mas manter uma relação é algo completamente diferente. Nós dois é um romance honesto e emocionante sobre a vida, o amor e a importância de dar valor a ambos.

Amo Ivy de mil maneiras, pequenas e grandes, triviais e importantes.

Todo casal é único, mas qualquer relacionamento eventualmente chegará no “dia seguinte”. Não se trata de uma data literal, que seja possível marcar no calendário; na verdade, está mais para uma transição: a passagem da paixão pura ao que vem… Depois. Em Nós Dois, obra de Andy Jones, somos apresentados a Ivy e William justamente quando o namoro dos dois está entrando (à força, devo ressaltar) nesse processo de mudança.

Após dezenove dias de paixão e sexo sem medidas ou hora para acabar, a bolha de encanto dos dois começa a se romper. Não deixaram de gostar um do outro de repente, mas… Algo mudou. A vida se interpôs, com seus desígnios misteriosos, e os obrigou a partir em busca do próximo passo, um próximo estágio em que seu relacionamento recém-nascido pudesse se alocar. Mas há algo que ambos vão descobrir: a busca por esse novo espaço pode ser um processo bem difícil e doloroso.

A primeira coisa que me chamou a atenção na obra foi a frase que vem na capa, junto ao título: “Se apaixonar é fácil, difícil é o que vem depois”. Qualquer pessoa que tenha estado em um relacionamento mais longo sabe que essa é uma verdade incontestável, no entanto, até o momento, eu não tinha encontrado um livro do gênero disposto a trabalhá-la como temática central. Isso me deixou ansiosa pela leitura, porque eu estava buscando algo real em meio à idealização que costumamos encontrar em livros românticos. Fui recompensada, mas não da maneira como eu imaginava.

Algumas horas e muitos tapas na cara depois, comecei essa resenha com o coração satisfeito e inquieto ao mesmo tempo. Não vou mentir dizendo que o livro é uma obra perfeita. Houve cenas que me deram vontade de dar um tapa na cara de William e sacudir Ivy pelos ombros. Uma em especial me deu vontade de vomitar minha janta. Contudo e apesar de tudo, o livro retrata com delicadeza os percalços de uma relação que precisa encontrar sua base: as inseguranças do primeiro “eu te amo”; as dificuldades em pedir desculpas; a necessidade de superar as diferenças; o contato físico e o que pode acontecer com ele em consequência das mudanças dentro de um namoro; a fidelidade; a convivência entre famílias; entre muitas outras coisas. 

A história de Ivy e William não é marcada pelos rumos mais convencionais, mas isso não significa que seu desenrolar não espelhe, em maior ou menor medida, muitas das relações que encontramos por aí. Ademais, eles não são o único casal cujo relacionamento vamos conhecer. Ao longo da obra, somos brindados com outras histórias de amor “de verdade” através de personagens secundários, como Phil e El (meus queridos, por sinal), Nino e Esther, Joe e Jen… Todos construindo o amor a seu modo. Todos reais. Todos vivendo no “dia seguinte”.

A preciosidade da obra mora justamente aí: na dose de realidade agridoce. Quando eu terminei o livro, a garota interior, apaixonada por príncipes e finais felizes perfeitos, ficou bastante chateada. No entanto, a mulher que vive no mundo real (e não nas telas encantadas da Disney) sentiu-se extremamente tocada e plena, simplesmente por ver que o amor floresce, como uma rosa, e pode ser muito belo independente de todos os seus espinhos.

REFERÊNCIA

JONES, Andy. Nós dois. Rio de Janeiro: Suma, 2016.