ENTREVISTA #05: HUGO TAVARES

 

ENTREVISTA HUGO TAVARES

 

O1: Como e quando você descobriu que queria ser escritor?

R.: Eu confesso que não me lembro de quem é essa citação, mas ela fala o seguinte: “A vontade de ser escritor surge quando você quer ler uma história que ainda não foi escrita”. E é bem nesse sentido, como sou grande apreciador de cinema, depois de assistir inúmeras estórias, decidi escrever as minhas próprias.

 

O2: Quais são as suas maiores influências literárias? De que maneira elas influenciaram e influenciam na sua escrita?

R.: Rubem Fonseca e Raphael Montes. Influenciam minha escrita no aspecto da violência, sarcasmo e estilo cinematográfico. São escritores que gostam de descrever a decadência urbana e do ser humano, e isso está muito presente na minha obra.

 

O3: De onde surgiu a ideia de Relatos Urbanos?

R.: Foi uma ideia que foi amadurecendo aos poucos. Eu sempre me interessei muito por cinema e, cada vez que via uma obra marcante, surgiam novas ideias de estórias. Sempre procuro imaginar uma cena, diálogo ou personagem em outro contexto. Foi dessa forma que nasceram muitos dos contos.

 

O4: Algum autor ou livro específico inspirou Relatos Urbanos?

R.: Certamente Rubem Fonseca foi o autor que eu mais li como inspiração para escrever Relatos Urbanos.

 

O5: Quais foram as suas maiores dificuldades e o que você achou mais fácil durante o processo de escrita?

R.: Existe, no mínimo, um estranhamento ao escrever um livro pela primeira vez. Era um território desconhecido e confesso que eu não sabia se o projeto iria para frente. Com o tempo, todavia, comecei a perceber como meu processo criativo e de escrita funcionavam melhor e a produção do livro fluiu com mais espontaneidade. A grande dificuldade foi realmente iniciar; pela falta de experiência. Em relação à facilidade, cada conto teve sua particularidade. Algumas ideias já vieram prontas e a produção naquele momento foi mais natural.

 

O6: Sua obra é uma antologia de contos. Você tem preferência pelo gênero? Caso sim, por quê?

R.: Não me sinto pronto para escrever um romance. Muito por falta de experiência literária e, sobretudo, por falta de tempo. Por isso, preferi seguir no formato de contos. São mais ágeis e corresponderam ao estilo que eu queria escrever.

 

07: Em uma das nossas conversas, você mencionou que um dos contos, “Os Barbeiros da Rua Souza”, foi inspirado em um fato real ocorrido na sua cidade. Alguma das outras histórias também foi inspirada em eventos reais? Qual ou quais?

R.: Na verdade, no conto “Os Barbeiros da Rua Souza”, apenas um evento da estória é real. As consequências a partir daí são ficção. Existem, entretanto, dois contos que são eventos reais. Mas, para preservar a identidade dos envolvidos, não posso dizer quais são.

 

08: Qual dos treze contos você mais gostou de escrever? Por quê?

R.: Não acredito que tenha um conto favorito, seja o resultado final ou o processo de produção. Cada um tem sua particularidade e representa o que eu acredito como escritor.

 

09: Em geral, qual o conto mais elogiado na sua obra? Você sabe dizer os motivos?

R.: Recebo muitos feedbacks positivos dos leitores com relação aos contos “São João do Jurunas” e “A História de Johnny”. Acredito que são duas estórias com twists bem elaborados, que chocam o leitor ao final do conto. Os motivos, porém, variam também. Cada leitor tem sua experiência própria com cada estória.

 

10: Qual foi o feedback mais marcante que você recebeu depois que a sua obra foi publicada?

R.: Um antigo professor meu fez uma resenha da obra, a qual representa bem a essência de “Relatos Urbanos”. Ela está disponível no meu instagram oficial @htavaresn.

 

11: Se você pudesse alterar uma única coisa no seu livro, o que seria?

R.: Confesso que não alteraria a obra. Ela foi publicada depois de muitas revisões e o resultado final foi exatamente o que eu queria.

 

12: O que você julga como o grande diferencial de Relatos Urbanos?

R.: “Relatos Urbanos” reúne contos ágeis, breves e concisos. Não há perda de tempo. É direto ao que se quer dizer. Além disso, os finais costumam fazer o leitor refletir sobre a fronteira que separa a realidade da ficção.

 

13: Você anda trabalhando em novos projetos? Caso sim, pode falar um pouco a respeito deles?

R.: Eu estou trabalhando em um segundo livro de contos, no mesmo formato de Relatos Urbanos, mas ainda sem previsão de lançamento. 

 

14: Como você vê o crescimento do mercado editorial brasileiro?

R.: O mercado ainda é muito pequeno. Para o escritor de primeira viagem, conseguir publicar um livro, quase sempre, só pagando. Faltam estímulos para que nossa literatura nacional possa se desenvolver.

 

15: Qual dica você daria para os escritores iniciantes que ainda não foram publicados?

R.: Eu acredito que não se deve escrever visando um determinado público. A ideia é representar aquilo que você acredita como verdade. Se, coincidentemente, mais pessoas também acreditarem, ótimo. O mais importante, entretanto, é originalidade.

 

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