BIOGRAFIA #34: ANA MARIA MACHADO

UMA VARIEDADE INCRÍVEL DE LEITURAS ATRAENTES

 

A literatura brasileira, como diz Ana Maria Machado, é “uma variedade incrível de leituras atraentes”, as obras da autora não podem deixar de estar incluídas em sua própria fala, pois a ilustríssima ex-presidente da Academia Brasileira de Letras criou um vasto repertório de obras infantis e adultas, encantando a todos – no Brasil e mundo a fora.

Ana Maria Machado, a segunda mulher a ocupar um cargo presidencial na Academia Brasileira de Letras, posto que ocupou entre 2012 e 2013, nasceu no bairro Santa Teresa, Rio de Janeiro e, desde 1941, é uma pessoa extremamente inteligente, estudando no Museu de Arte Moderna no Rio; no MOMA, em Nova York, nos Estados Unidos; formou-se em Letras Neolatinas, em 1964, na  Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil e, não menos importante, fez pós-graduação na UFRJ, onde lecionou Teoria Literária e, assim como na também famosa PUC, Literatura Brasileira.

No entanto, seu repertório como professora não se limitou ao Brasil, ela lecionou na Sorbonne, dando aulas de língua portuguesa; na Universidade de Berkeley; e ocupou a cátedra Machado de Assis na Universidade de Oxford.

Além de professora, Ana Maria Machado possui muitas outras profissões e talentos, como jornalista e pintora, sendo considerada por muitos críticos uma das mais versáteis escritoras contemporâneas. Tão versátil quanto premiada, pois há tantos prêmios literários em suas costas que se perde a conta, tópico sobre o qual o próprio site da autora comenta. Para exemplificar, só de Prêmio Jabuti, venceu três vezes; em 2001, ganhou o Prêmio Machado de Assis da Academia, pelo conjunto de sua obra, entre outros; de prêmios internacionais, ganhou o Casa de Las Américas, em 1980; Hans Christian Andersen, em 2000, um dos prêmios mais importantes para qualquer autor de literatura infantil; o Prêmio Príncipe Claus, na Holanda, e, em 2012, venceu o Iberoamericano SM de Literatura Infanto Juvenil.

Como muitos literatos de seu tempo, a autora também foi presa pelo governo militar e, no final de 1969, foi obrigada a deixar o Brasil, encaminhando-se para a Europa e levando cópias de algumas histórias infantis que escrevia naquele tempo. Lutou para se sustentar e sobreviver, trabalhando como jornalista para a Elle de Paris e para a BBC de Londres enquanto atuava como professora na Sorbonne e criava seu filho. Contudo, foi nesse tempo que conheceu Roland Barthes, mestre de um seleto grupo de estudantes e um dos maiores semiólogos do mundo. Foi lá e com ele que terminou a sua tese de doutorado em Linguística e Semiologia, na mesma época em que nasceu seu segundo filho.

Mesmo que tivesse que fazer tantas coisas, nunca deixou sua escrita de lado e as tinha publicadas pela Revista Recreio, que se tornaram parte de um livro anos depois. Sua volta ao Brasil foi no final do ano de 1972, trabalhando tanto para o Jornal do Brasil quanto para a rádio do jornal, chefiou o departamento por sete anos, em uma gestão que “marcou ouvintes, pela ousadia e inventividade com que soube animar uma equipe jovem no enfrentamento cotidiano contra a censura da ditadura”.

Por muitos anos, continuou com o ofício de jornalista, porém, em 1977, ao ganhar o prêmio João de Barro, a vida da autora mudou, o livro História Meio ao Contrário fez com que outras obras engavetadas fossem publicadas, justamente pelo imenso sucesso que foi em seu tempo.

Dois anos depois, ao lado de Maria Eugênia Silveira, abriu a Malasartes – inspirado no personagem tradicional da cultura portuguesa e brasileira –, a primeira livraria específica para o público infantil do Brasil, e por 18 anos esteve presente como codiretora, selecionando obras de maneira criteriosa a partir de todo o conhecimento que adquiriu em vida.

Recentemente, Ana Maria Machado apareceu em uma polêmica literária levantada por uma mãe a respeito de um livro de 1983 da autora, chamado O menino que espiava pra dentro, por causa de uma cena, muito similar a da Branca de Neve, em que um menino engasga com uma maçã e se encaminha para o mundo imaginário, muito provavelmente baseado no universo de Lewis Carroll, algo que a autora explora em outros livros, como Alice e Ulisses. Muitos se posicionaram contra a postagem, levando em consideração o distanciamento da obra em relação aos assuntos debatidos na contemporaneidade.

Não há como negar que os responsáveis devem sempre estar prestando atenção no que seus filhos consomem; mas ainda que tenha sido criticada por uma mãe, Ana Maria Machado permanece recomendável desde a infância, uma vez que é uma autora de referência para todo o Brasil.