BIOGRAFIA #32: FRANK BAUM

 

 

TALVEZ ALGUMAS DESSAS PESSOAS GRANDES, ADULTAS, POSSAM ZOMBAR DE NÓS

 

Embora as responsabilidades nos digam que devemos crescer, eu acho fantástico quando não as obedecemos, porque crescer é chato e ser criança é muito melhor: nós aceitamos a fantasia, desbravamos aventuras com carinho e dedicação e, acima de tudo, podemos sonhar sem sermos julgados por isso e sem precisarmos deixar nossos desejos de lado para crescermos e pagarmos contas.

L. Frank Baum é esse exato tipo de homem que cresceu sem jamais realmente crescer. Ele seria uma representação de Peter Pan, só que na sua versão mais adulta possível, porque – como amigos relatavam – era aquela pessoa que contava histórias, mas podiam ser meias mentiras ou meias verdades a depender do contexto. Sempre tinha um brilho nos olhos muito característico e adorava sonhar, acima de tudo.

Ele nasceu em 1856, em Chittenango, Nova York, num quase berço de ouro, pois seu pai, Benjamin Ward Baum, era um empresário da indústria petrolífera. Inclusive, sua família era tão abastada que Frank foi educado em casa por um tutor, só sendo enviado para estudar fora quando tinha doze anos, na Academia Militar de Peekskill, lugar que permanece por dois anos.

Sua produção começa em 1873, com um panfleto para filatelistas, colecionadores de selo, amadores. Nesse meio tempo, ele frequentava a Syracuse Classical School, contudo, ao contrário do esperado, ele não foi para a universidade, porque preferiu trabalhar como ator de teatro.

Em 1875, abriu uma gráfica em Bradford, na Pensilvânia, mas não se manteve no ramo por muito tempo também. Em 1876, ele resolveu criar aves exóticas, principalmente, galinhas hamburguesas.

Na década de 80 dos anos 1800, começou a editar um periódico mensal, tornando-se gerente da rede de teatros do seu pai, que tinha casas tanto em Nova York quanto na Pensilvânia.

Em 881, abandonou sua estimada criação de aves quando alcançou o seu primeiro sucesso literário com uma comédia musical, que seguiu temporada até mesmo em Manhattan.

No ano seguinte, casou-se com Maud Gage, filha de Matilda Joslyn Gage, uma famosa feminista e ativista pertencente as sufragistas, inclusive, é interessante perceber que, embora Dorothy seja uma personagem decidida e forte, e diria até feminista, em algumas obras, Baum criticou o movimento por causa da sogra.

Ele e sua esposa tiveram quatro filhos e, nesse meio tempo, quando o segundo nasce, aos trinta anos, ele lança seu primeiro livro sobre criação de galinhas hamburguesas. Em 1888, abre uma loja – após a morte do pai, chamada Baum’s Bazaar (Bazar do Baum), mas somente dura até 1890.   

 Nesse meio tempo, Baum se muda, investe em uma carreira nova, não dá certo e se muda novamente, vai para outro ofício, etc. Somente em 1899, aliado ao ilustrador W.W. Denslow, ele publica seu primeiro sucesso Father Goose: His Book (Pai Ganso: o livro dele), que se torna, no mesmo ano, um best-seller.

A partir de 1900, finalmente, Baum decide ser somente escritor – ainda que, nesse mesmo ano, lance um manual sobre design de vitrines e interiores chamado The Art of Decorating (A arte de ir Decorando). Inclusive, nesse ano, ele foi muito produtivo, escrevendo diversos livros infantis, inclusive, O Mágico de Oz.

O Mágico de Oz foi tão aclamado que Baum é levado a continuar a escrever e faz uma série com quatorze livros escritos por ele e mais alguns posteriores à sua morte, até mesmo o seu filho escreve a respeito.

Em 1902, O Mágico de Oz vira um sucesso na Broadway, por dois anos inteiros e, nos anos seguinte, Baum continua trabalhando nessa e em outras produções suas. No ano de 1906, embarca, acompanhado de sua esposa, para uma viagem ao Egito, ao Norte da África, Grécia, Itália, Suíça e França. Essa viagem refresca suas ideias e mais livros surgem a partir de então.

Muda-se para Hollywood em 1910, fascinado pelo cinema, ano que surge a primeira adaptação cinematográfica de O Mágico de Oz, em um curta-metragem. Em 1911, ele decreta falência após investir em produções curtas que não deram certo.

 Mas tudo se resolve em 1913, quando cria mais um musical de sucesso. Baum investe de novo no cinema e funda a Oz Film Manufacturing Company. Entretanto, mais uma vez, não dá certo e, em 1919, no dia seis de maio, cheio de dívidas e doente, ele morre aos 62 anos.

Contudo, publicações suas continuaram a surgir, como em 1920, a última obra dele, Glinda de Oz. Outras adaptações cinematográficas são feitas e, algumas delas, ficam famosas.

Embora Baum tenha morrido, o mundo de Oz e a sua história continuaram vivos e mudaram tudo o que conhecíamos sobre contos de fadas. Ele é, sem sombra de dúvida, um homem que desejou o sucesso e, quando dele desistiu, foi que o alcançou.