BIOGRAFIA #30: MADAME DE VILLENEUVE

 

 

À ESCRITORA TARDIA

 

Como anda o seu conhecimento sobre os contos de fadas roteirizados pela Disney? E sobre os contos que os precederam? Vocês provavelmente conhecem a versão da Madame de Beaumont, a versão mais famosa do conto Bela e a Fera, mas será que conhecem a autora que fez a primeira versão dele?

A maior parte dos dados bibliográficos de Gabrielle-Suzanne de Villeneuve se perdeu com o passar do tempo, porém, a sua trajetória é marcada por relações amorosas complicadas, principalmente, como a de seu primeiro casamento. O seu primeiro marido foi o militar da infantaria chamado Jean-Baptiste Gaalon de Villeneuve, era um membro da aristocracia de Poitou. O complicado da relação estava no aspecto financeiro, visto que ela foi obrigada a pedir a partilha de bens porque o dito cujo era incapaz de guardar um pouco de dinheiro, gastando a torto e a direito.

Ela teve uma filha com Gaalon, porém não se sabe ao certo se a menina viveu até a fase adulta, já que não há qualquer registro sobre o assunto. No entanto, é sabido que aos 26 anos, Gabrielle-Suzanne de Villeneuve ficou viúva e, sem qualquer forma para se sustentar, viveu de seu patrimônio até ser obrigada a procurar um jeito de sobreviver.

Quando seu marido faleceu, Villeneuve se mudou para Paris e, somente após os quarenta anos de idade, começou a escrever. O primeiro livro dela foi uma novela intitulada La Phoénix conjugal, publicada somente em 1734, quando tinha já seus quarenta e nove anos. Muitos acreditam, que seu revisor/examinador foi ninguém mais e ninguém menos que Crébillon, o maior e mais famoso dramaturgo da época.

Se a relação dos dois começou como amizade ou como romance, não se sabe, o que é sabido que eles se casaram e viveram juntos até a morte de Gabrielle. E, da mesma forma que ele lia as histórias dela, o oposto também ocorria. Ajudou-o na leitura de muitas das obras, que submetia à administração francesa de cultura.

Villeneuve, como se sabe por conta de Bela e a Fera, não parou com uma única novela. Seu romance de estreia se chama La Jeune Américaine, publicado em 1740, além de ter publicado coletâneas de contos de fadas, como Les Belles solitaires, em 1745. Também tivera outros romances, como La Jardinière de Vincennes, publicado em 1753, dois anos antes de sua morte, em 1755. Inclusive, deve-se ressaltar que o último mencionado é um romance mais famoso e bem-sucedido da autora, tendo quinze reimpressões até 1800.

Seus predecessores não foram ninguém menos do que os consagrados autores franceses Charles Perrault e Madame d’Aulnoy, os quais foram centrais para a primeira leva de escritores que trabalhavam contos de fadas. Villeneuve seguiu os passos dos dois, que são considerados suas grandes influências.

Deve-se ressaltar que a obra mais famosa, em um contexto universal, é Bela e a Fera, na linhagem dos contos de fadas, que criticam claramente o matrimônio, ferida profunda na vida de Villeneuve por conta de seu primeiro casamento. Alguns anos mais para frente, a autora Jeanne-Marie Leprince de Beaumont se inspiraria em sua história para fazer uma versão resumida do conto, trazendo ainda mais atenção para as histórias de Villeneuve.

 

As informações – em sua maioria – foram retiradas da introdução de Rodrigo Lacerda, editor da linha de Clássicos da Zahar, do livro A Bela e a Fera (2016).