BIOGRAFIA #29: DOUGLAS ADAMS

 

 

A CRIAÇÃO PRENDE SUA RESPIRAÇÃO

 

Muitos autores possuem talento de sobra quanto à escrita e como a desenvolvem; outros, por sua vez, não se aprimoram tanto nessa arte, porém, sua filosofia é tão sublime e exuberante que nos perdemos nela, nós podemos literalmente prender a respiração, como a criação prendia, na obra mais famosa do autor, O Guia do Mochileiro das Galáxias.

Douglas Adams, ainda mais quando traduzido para o português, não era um exímio escritor, mas, em contrapartida, era capaz em todo o resto. Ele era um filósofo nos seus joguetes de pensamento e um crítico nato quando observava a sociedade e como ela funcionava.

Inclusive, a ideia inicial de seu livro mais famoso – quando Arthur perde a sua morada – é uma crítica constante e viva de como o nosso governo funciona até os dias de hoje, principalmente, como a nossa burocracia é bem louca. Essa era a primeira entre as tantas críticas que aparecem dentro de uma narrativa que conquistou gerações e continua o seu ofício, a cada ano que passa.

Adams é tanto um grande escritor quanto um exímio comediante britânico, inclusive, deve-se destacar e lembrar que ele escreveu diversas enquetes televisivas para a série Monty Python. Além disso, como já dito, ficou conhecidíssimo pelo O Guia do Mochileiro das Galáxias, mas não como uma série de livros e sim como uma série transmitida via rádio.

A primeira transmissão do Guia se deu em 1978, quatro anos depois de o escritor se formar em literatura inglesa pela St. John’s College, que faz parte da Universidade de Cambridge. A ideia, de fato, foi idealizada em 1977, porém, nos anos anteriores, Adams estava literalmente sendo um mochileiro. A história de Arthur Dent surgiu em uma dessas noites enquanto ele viajava bêbado e com um guia para mochileiros na mão.

Mas não se pode esquecer que foi com a parceria de Simon Brett, trabalhando na Radio 4, da BBC – lugar no qual seria transmitido o Guia pela primeira vez –, que a ideia ganhou forma até se concretizar.

Outra ideia surgiu a partir desse contato com a BBC, o livro A vida, o universo e tudo mais, na verdade, era para ser um episódio da série Doctor Who (1963), contudo, a transição não deu muito certo e, por fim, a ideia se apresentou para nós como parte de uma trilogia de cinco volumes.

A série, de fato, passou a ser roteirizada e escrita em 1979, quando se teve a primeira publicação de O Guia do Mochileiro das Galáxias, e, durante esse tempo, ele continuou escrevendo a sua história. O segundo volume da série é O Restaurante no Fim do Universo (1980), o terceiro é A vida, o universo e tudo mais (1982), que já foi mencionado, e, por fim, nessa leva primária do Guia, o último livro a ser publicado foi Obrigado pelos peixes! em 1984.

Durante o tempo que ficou afastado do Guia, Douglas Adams escreveu outras histórias, como o livro Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, recentemente, relembrado a partir de uma série da Netflix de nome homônimo, que conta com atores como Elijah Wood (Senhor dos Anéis).

Somente quase dez anos depois, em 1992, que o escritor voltou à série com o último volume – assim considerado pela maioria – chamado Praticamente Inofensiva. Contudo, há mais um volume, que seria conhecido como o sexto, porém, não foi escrito por Douglas Adams e sim, por Eoin Colfer. Muitos não consideram que esse volume seja parte da trilogia de cinco; outros, relevam. Fica a critério de cada um validar a respeito do assunto à sua maneira.

Adams continua sendo uma caixinha de surpresas, mesmo anos após a sua morte. Ele era extremamente engraçado, tinha uma sagacidade peculiar, uma filosofia – às vezes, controversa – fantástica, era ateu e cético, fazendo-o ser amigo de autores famosos e que seguiam essa linha de pensamento como Richard Dawkins, criador do livro O gene egoísta e que dedicou a Adams um livro famoso chamado A Desilusão de Deus (em inglês, The God Desilusion).

Há também outros autores famosos na cultura pop atual que conheciam e adoravam-no, como, por exemplo, Neil Gaiman (Sandman), que conta sempre a respeito de uma piada sobre as adoráveis toalhas e em que lugar elas estavam.

Douglas Adams, durante todo esse tempo, foi alguém inspirador, buscando sempre levar em conta a tecnologia e suas qualidades, indo contra a corrente que temia os avanços tecnológicos. Seu legado, bem conhecido pelo universo nerd e pelos apaixonados por ficção científica, continua presente todos esses anos, quando, no dia da première de Star Wars Episódio VI: Uma Nova Esperança (George Lucas), as pessoas lembram que não é somente o Dia do Orgulho Nerd, também é O Dia da Toalha.

Realmente, até a criação prende a sua respiração.