BIOGRAFIA #26: JEAN-BAPTISTE (MOLIÈRE)

 

 

O TEATRO FOI FEITO PARA O RISO

 

A vida de Molière, com seus altos e baixos, conecta-se intrinsecamente com as críticas altas e baixas de sua obra. Extremamente crítico, Jean-Baptiste Poquelin foi um escritor, ator e também dramaturgo que colecionou uma série de peças, elas vieram a ser tão famosas na França que é, até hoje, considerado o pai de toda a comédia francesa, embora sua ênfase seja a comédia de caráter ou, como conhecida no Brasil, comédia de costumes.

Obras como As preciosas ridículas (1659), O Misantropo (1665) e O Avarento (1668) fazem parte de seu repertório que, ainda nos dias atuais, é reencenado para todos que quiserem e puderem assistir. Suas peças são eternas porque, como Shakespeare, ele trabalhava a natureza humana e os seus profundos vícios.

Não por acaso, ele é um dos autores franceses considerado eterno, célebre e brilhante, por isso, permanece presente nas estantes de livros do mundo.

Jean Baptiste Poquelin nasceu em 1622, na cidade de Paris, sendo filho de Jean Poquelin, o estofador e o criado de quarto do rei Luís XII, e de Marie Cressé, que, em 1632, veio a falecer.

Seus estudos começaram três anos após o falecimento da mãe, no Collège de Clermont, conhecido também como Lycée Louis-le Grand. No entanto, mesmo percebendo a dedicação do filho com outras áreas, o pai de Molière – nome escolhido pelo autor anos depois – fez com que ele pudesse herdar a sua posição como estofador.

Ao terminar os estudos e obter o diploma em Direito, Molière passou a frequentar diversos círculos intelectuais formados por artistas de seu tempo. Nessa época, a profissão de ator tinha sido revogada, função muito importante na vida do criador de A Escola das Mulheres (1662) no futuro. Apenas em 1641, Luís XII a reestabeleceria.

Dois anos mais tarde, Molière renunciou ao direito de suceder seu pai e recebeu a herança de sua mãe. Com o dinheiro, fundou o grupo Illustre Théâtre com alguns amigos, que seriam também a família de sua futura esposa, além de outros artistas. No entanto, com mais ou menos um ano, a companhia fracassou e Jean Baptiste adotou o pseudônimo Molière, como todos o conhecem hoje em dia.

Nessa época, ele foi preso por causa do acúmulo de dívidas, mas solto logo em seguida. Em seguida, resolveu viajar para a província, onde se apresentou nas mais diversas cidades. Inclusive, Molière representou – ele mesmo, sim – as suas primeiras peças para o público.

Ele entrou em outra companhia, Dufresne e, o próprio Dufresne, anos mais tarde, passou a liderança do grupo para Jean. No comando, o grupo continuou a viajar por uma década pelo interior da França antes de voltar para Paris. Contudo, somente voltaram após conseguir a proteção de Monsieur, o irmão do rei.

A partir de então, a carreira de Molière decolou e muitas de suas peças mais famosas estrearam e fizeram sucesso depois, algumas, como Tartufo (1664) foram proibidas pela Igreja de serem apresentadas para o grande público, o que, na época da morte de Molière, causou problemas a sua esposa.

Armande Béjart, a esposa de Molière e sobrinha de Madeleine, uma das amigas do dramaturgo que fundou com ele o primeiro – e fracassado – grupo de teatro de Jean, era trinta anos mais nova que o ator. Os dois se casaram no mesmo ano que A Escola das Mulheres estreou na França.

Eles tiveram três filhos, porém somente a segunda filha do casal conseguiu sobreviver, os outros dois – infelizmente – faleceram no mesmo ano em que nasceram, algo que, muito provavelmente, tocou o dramaturgo.

A última peça do autor foi O doente imaginário, que era encenada por ele mesmo como tantas outras, porém, na quarta apresentação, Molière desmaiou no palco, morrendo no mesmo dia. A Igreja, pelo problema ocorrido com a peça Tartufo, recusou-se a enterrá-lo nos parâmetros religiosos, algo que somente foi concedido após a intervenção do rei a pedido de Armande. 

Molière começou como um homem cheio de sonhos e expectativas, afundou-se em dívidas e viu seus sonhos serem esmagados, porém, não desistiu e, nesse processo, conquistou o mundo, a eternidade e mostrou que o teatro foi feito para o riso.